| História de Caxias |
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| História |
| Escrito por Carlos Sílvio Santos |
| Dom, 10 de Janeiro de 2010 14:39 |
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História de Caxias Da Pré-História a Roma ![]() Esconde-se na bruma da Pré-História, a memória da área da freguesia, desenvolvida ao longo da Ribeira de Barcarena, através de quatro estações classificadas pela Carta Arqueológica do Concelho: nos tempos do Paleolítico, junto da Quinta do Jardim (estação nº.74), nas imediações de Laveiras (nº.76) e na praia a montante do forte de São Bruno, na confluência com a Ribeira de Barcarena (nº.77); e, talvez no Neolítico, ainda na estação de Laveiras, acima referida. Vencidos os tempos da pré-História, uma lápide de Flavius Quadratus, aquilífero da II Legião atesta a presença dos romanos em Laveiras (estação nº.75). Da Idade Média às Descobertas ![]() Atingida a Idade Média, nascida a nacionalidade, a referência mais remota que conhecemos, em relação à área, é coetânea de D. Sancho I, a carta de doação e escambo (Lourinhã, 1203), celebrada pelo famoso chanceler Julião Pais, segundo a qual um tal D. Pedro e seu irmão D. Vilelmo, receberam a várzea de Laveiras e outros bens "por aquela herdade que vós tivestes em Sesimbra e pelo bom serviço que nos fizestes e fazeis", tudo confirmado por carta de D. Afonso II (Lisboa, 1218). Laveiras, durante séculos presente na pedra aplicada nas obras mais significativas das redondezas, da Cartuxa às fortificações mas, também, nos Jerónimos, no Terreiro do Paço, no porto e nas calçadas lisboetas. Do Murganhal, decerto forma derivada de murganho, o mesmo que musarando, mamífero insectívoro acastanhado, parecido com um rato, explicável pela abundância da espécie na região, avulta a memória de a sua quinta ter sido doada por D. Pedro I (reinado: 1367/82), em recompensa de serviços prestados pelo seu escrivão da puridade, Gonçalo Vasquez, a partir de dois casais adquiridos por este a João Redondo e filhos e à igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa. O século seguinte é o da concessão de Carta de Privilégio (Santarém, 1487) aos oficiais das Ferrarias de El-Rei (D. João II), as quais levaram à posterior laboração do fabrico de pólvora e à consequente intensificação da tradicional navegação na Ribeira de Barcarena. A Ribeira - Acima e a Ribeira - Abaixo, separadas dois quilómetros entre o limite sul da Fábrica da Pólvora e o termo meridional da freguesia de Barcarena, ainda hoje constituem verdadeiras certidões toponímicas, contemporâneas do transbordo das matérias primas e dos produtos, para e das barcas, até dar origem , na foz da ribeira, a uma modesta povoação cujos fastos aqui celebramos. D. Simoa Godinho, a famosa "D. Simoa de São Tomé" marcou presença em Laveiras, dado que, tendo legado uma quinta para um convento de frades pobres, D. Filipe II obteve, de Roma, licença para atribuí-la aos frades cartuxos, ali instalados em 1598, vindos da actual Travessa dos Brunos, na Pampulha, Lisboa. Os factos de a Cartuxa ter sido construida para os frades de São Bruno, no vale da Ribeira de Barcarena e de a doadora ter fundado uma capela na igreja da Conceição Velha (na qual repousam os seus restos mortais), em Lisboa, sob a invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, justificam que ao mosteiro fosse dada a designação de Valles Misericordiae e que a igreja tenha sido dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno. Por esta época se iniciou uma significativa melhoria dos "caminhos e carreiras/ que vão daqui para Oeiras", com a construção (1618) da primeira ponte da actual freguesia, de pedra, "de um só arco muito simples e sem beleza architectonica", a sudoeste da actual Quinta Real, na estrada da Gibalta, sobre a Ribeira de Barcarena. Pós-1640 - Depois da ocupação espanhola ![]() Restaurada a Independência, a consequente construção no Tejo, de uma linha fortificada, levou D. António Luís de Meneses, 3º. Conde de Cantanhede, a endereçar uma carta (1649.NOV.1) a D. João IV, comunicando ter mandado fazer "duas baterias, uma na Ponta de Laveiras (forte de São Bruno) (...) e outra na Boa Viagem (...) e entre estas duas Baterias fica um posto que chamam Caxias onde se está fazendo uma trincheira com camisa de pedra e cal e no meio dela fica uma esplanada com 4 canhoneiras para se lhe pôr artilharia, que se lhe porá tanto que se acabar". Esta a mais antiga referência que conhecemos, quanto ao topónimo Caxias, de cuja raiz etimológica encontrámos três versões: uma, que nos parece mais credível, com origem em casillas, casas pequenas, no país vizinho; outra, do latim quassina (rochedo, quebra-mar), donde Cassia e, depois, Caxia; outra, ainda, com o significado de "pedra que corta a água", todas aguardando esclarecimento dos etimologistas para a grafia clássica, por apurar, com ch ou com x. O já referido " posto que chamam Caxias" antecessor do forte de Nossa Senhora do Vale, já concluído em 1653 e utilizado durante longos anos, como depósito e cais de embarque dos produtos da Fábrica da Pólvora de Barcarena, destinados aos armazéns da capital e demolido (1939) para dar lugar à actual curva do Mónaco, pode, pois, dever a sua designação ao termo casillas, a sugerir que o topónimo pode ter nascido nas humildes habitações da Rua Direita, com a ocupação filipina, terminada apenas nove anos antes da já referida carta do Conde de Cantanhede. Teria sido assim? Do povoamento de Laveiras, nesta época, há que referir, em 1603 os casais de Antónia Gomes e João Rodrigues de Elvas (primo de Heitor Mendes de Brito e Elvas, marido de D. Teresa Eufrásia de Meneses, titular do Palácio dos Arcos, em Paço de Arcos); em 1607, os de Amador Brás, do Dr. Cristóvão Borges, de Álvaro Pires e de Pero Enes Serra; em 1611, a terra de pão do Dr. Francisco de Bragança, Comissário Geral da Bula da Cruzada; em 1672, o casal " que foi de Martim Descalça, de Laveiras", o primeiro desta família, Descalça ou Descarça, em Portugal, a mesma de Benedetto Odescalchi (1611/89), 241º papa, Inocêncio XI (1676/89), beatificado em 1956. Em Laveiras, Martim Odescalchi residente junto da Cartuxa, casou primeiro com uma filha de Tomás Missavel e, depois de enviuvar, com Maria Alcoforado Godinho. Em 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia Laveiras, então com 40 vizinhos (fogos ou famílias, com a equivalência normal de quatro habitantes por fogo), e "hua Ermida de Santo Antonio & lhe passa hum rio pelo meyo, que tem hua ponte de hum só arco, aonde está o Forte de S. Bruno & da parte do Nascente fica o Convento dos Cartuxos"; e o Murganhal,com 12 vizinhos, "seis moinhos & hua grande quinta que chamaõ o Jardim, com hua Ermida de S. João Bautista", sem referir Caxias, provavelmente ainda um palmo de terra, acanhado, entre a Rua Direita e o Forte de Nossa Senhora do Vale. Corria o ano de 1736 quando surgiu a actual Cartuxa, em sítio mais alto que o anterior, imitando em linhas gerais, a igreja da Cartuxa de Évora cuja traça se assemelha à de Santa Cecília de Trastevere, em Roma, enquanto, por ordem do infante D. Francisco (m. 1742), irmão de D. João V, começou a tomar forma a Quinta Real, cujo palácio veio a ser concluído em 1832 e completado com a Casa de Massarelos, cerca de 1845. Quase meio século após a descrição de 1712, do padre Carvalho da Costa, o padre-cura Francisco dos Santos Pereira referia (1758) as três grandes localidades da região logo após o terramoto, Laveiras, com 75 vizinhos e a ermida de "N. Srª. de Porto Seguro, pertence aos Monges de S. Bruno, he frequentada de Romagens, e no dia da Natividade da Srª. avem festejar romeiros de Lisboa"; Caxias, com 23 vizinhos, tem "a ermida de N. Srª. da Conceição nas cazas do Exmo Principal de Barem" ( o genealogista Antonio Correia Barem, já falecido em 1640, marido de D. Antónia de Vilhena, titular do Palácio e Quinta da Terrugem? A ermida da actual Casa de Massarelos, talvez construida num antigo foro da Terrugem? Ou confusão com a igreja da Cartuxa dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno?) e Murganhal, com 10 vizinhos. A região contava já, portanto, com uma população total de 108 vizinhos duplicando, pois em menos de meio século, a de 1712. Não anda longe da anterior, a descrição de 1763, do padre João Bautista de Castro, com as ermidas de Santo António (da Mina?), em Laveiras; de Nossa Senhora da Conceição (repetição da versão de 1758), no lugar de "Cachias"; e de São João Baptista, na Quinta do Jardim. A partir de 1764.ABR.5 ficaram definidos cinco lugares e quatro sítios repartidos por duas vintenas, a do Murganhal (com o lugar que lhe deu o nome e os sítios de Ribeira - Abaixo, Azenha do Murganhal e Jardim) e a de Laveiras (com o lugar que lhe servia de designação e os da Terrugem, Caxias e Cartuxa e o sítio da Gibalta), área na qual residiam os 530 confessados durante a Quaresma de 1773. Pós-1640 - Depois da ocupação espanhola ![]() Restaurada a Independência, a consequente construção no Tejo, de uma linha fortificada, levou D. António Luís de Meneses, 3º. Conde de Cantanhede, a endereçar uma carta (1649.NOV.1) a D. João IV, comunicando ter mandado fazer "duas baterias, uma na Ponta de Laveiras (forte de São Bruno) (...) e outra na Boa Viagem (...) e entre estas duas Baterias fica um posto que chamam Caxias onde se está fazendo uma trincheira com camisa de pedra e cal e no meio dela fica uma esplanada com 4 canhoneiras para se lhe pôr artilharia, que se lhe porá tanto que se acabar". Esta a mais antiga referência que conhecemos, quanto ao topónimo Caxias, de cuja raiz etimológica encontrámos três versões: uma, que nos parece mais credível, com origem em casillas, casas pequenas, no país vizinho; outra, do latim quassina (rochedo, quebra-mar), donde Cassia e, depois, Caxia; outra, ainda, com o significado de "pedra que corta a água", todas aguardando esclarecimento dos etimologistas para a grafia clássica, por apurar, com ch ou com x. O já referido " posto que chamam Caxias" antecessor do forte de Nossa Senhora do Vale, já concluído em 1653 e utilizado durante longos anos, como depósito e cais de embarque dos produtos da Fábrica da Pólvora de Barcarena, destinados aos armazéns da capital e demolido (1939) para dar lugar à actual curva do Mónaco, pode, pois, dever a sua designação ao termo casillas, a sugerir que o topónimo pode ter nascido nas humildes habitações da Rua Direita, com a ocupação filipina, terminada apenas nove anos antes da já referida carta do Conde de Cantanhede. Teria sido assim? Do povoamento de Laveiras, nesta época, há que referir, em 1603 os casais de Antónia Gomes e João Rodrigues de Elvas (primo de Heitor Mendes de Brito e Elvas, marido de D. Teresa Eufrásia de Meneses, titular do Palácio dos Arcos, em Paço de Arcos); em 1607, os de Amador Brás, do Dr. Cristóvão Borges, de Álvaro Pires e de Pero Enes Serra; em 1611, a terra de pão do Dr. Francisco de Bragança, Comissário Geral da Bula da Cruzada; em 1672, o casal " que foi de Martim Descalça, de Laveiras", o primeiro desta família, Descalça ou Descarça, em Portugal, a mesma de Benedetto Odescalchi (1611/89), 241º papa, Inocêncio XI (1676/89), beatificado em 1956. Em Laveiras, Martim Odescalchi residente junto da Cartuxa, casou primeiro com uma filha de Tomás Missavel e, depois de enviuvar, com Maria Alcoforado Godinho. Em 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia Laveiras, então com 40 vizinhos (fogos ou famílias, com a equivalência normal de quatro habitantes por fogo), e "hua Ermida de Santo Antonio & lhe passa hum rio pelo meyo, que tem hua ponte de hum só arco, aonde está o Forte de S. Bruno & da parte do Nascente fica o Convento dos Cartuxos"; e o Murganhal,com 12 vizinhos, "seis moinhos & hua grande quinta que chamaõ o Jardim, com hua Ermida de S. João Bautista", sem referir Caxias, provavelmente ainda um palmo de terra, acanhado, entre a Rua Direita e o Forte de Nossa Senhora do Vale. Corria o ano de 1736 quando surgiu a actual Cartuxa, em sítio mais alto que o anterior, imitando em linhas gerais, a igreja da Cartuxa de Évora cuja traça se assemelha à de Santa Cecília de Trastevere, em Roma, enquanto, por ordem do infante D. Francisco (m. 1742), irmão de D. João V, começou a tomar forma a Quinta Real, cujo palácio veio a ser concluído em 1832 e completado com a Casa de Massarelos, cerca de 1845. Quase meio século após a descrição de 1712, do padre Carvalho da Costa, o padre-cura Francisco dos Santos Pereira referia (1758) as três grandes localidades da região logo após o terramoto, Laveiras, com 75 vizinhos e a ermida de "N. Srª. de Porto Seguro, pertence aos Monges de S. Bruno, he frequentada de Romagens, e no dia da Natividade da Srª. avem festejar romeiros de Lisboa"; Caxias, com 23 vizinhos, tem "a ermida de N. Srª. da Conceição nas cazas do Exmo Principal de Barem" ( o genealogista Antonio Correia Barem, já falecido em 1640, marido de D. Antónia de Vilhena, titular do Palácio e Quinta da Terrugem? A ermida da actual Casa de Massarelos, talvez construida num antigo foro da Terrugem? Ou confusão com a igreja da Cartuxa dedicada a Nossa Senhora da Conceição e a São Bruno?) e Murganhal, com 10 vizinhos. A região contava já, portanto, com uma população total de 108 vizinhos duplicando, pois em menos de meio século, a de 1712. Não anda longe da anterior, a descrição de 1763, do padre João Bautista de Castro, com as ermidas de Santo António (da Mina?), em Laveiras; de Nossa Senhora da Conceição (repetição da versão de 1758), no lugar de "Cachias"; e de São João Baptista, na Quinta do Jardim. A partir de 1764.ABR.5 ficaram definidos cinco lugares e quatro sítios repartidos por duas vintenas, a do Murganhal (com o lugar que lhe deu o nome e os sítios de Ribeira - Abaixo, Azenha do Murganhal e Jardim) e a de Laveiras (com o lugar que lhe servia de designação e os da Terrugem, Caxias e Cartuxa e o sítio da Gibalta), área na qual residiam os 530 confessados durante a Quaresma de 1773. Séc. XIX - primeira metade ![]() Da primeira metade do século XIX ficou a lembrança da constituição da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, na ermida de Laveiras (1812. MAR.20) à qual foram concedidas graças perpétuas por breve de Pio VII (1817.JUL.26); da construção da Estrada Real (1828/33); e do teatrinho na casa do 2º.Conde de Carvalhal (1849), enquanto a Quinta Real, cenário do lazer de D. Miguel, até 1832, passou, depois de incorporada nos bens da Coroa (1834), a deliciar os verões da família real e dos seus visitantes, com destaque para Garrett, o qual afirmava na sua "Epístola Romântica" (1847.SET.9), (...) em Caxias São poucas para mim todas as pennas", numa época (1838) em que a região incluía cinco lugares (Cartuxa, Caxias, Gibalta, Laveiras e Murganhal), duas quintas (Jardim e Lagoar), dois fortes (Nossa Senhora do Vale e São Bruno) e um mosteiro (Vale da Misericórdia). Séc. XIX - segunda metade ![]() A segunda metade de oitocentos ficou assinalada pelo incêndio e destruição (1866) da primitiva capela de Nossa Senhora das Dores de Laveiras e pela sua reconstrução (1867), custeada pelo produto de esmolas; pela construção (1879/86) do Forte de Caxias, depois denominado Rei D. Luis (1901.NOV.15); pela inauguração da ferrovia Pedrouços - Cascais, com via dupla apenas até Caxias (1889.SET.30); e pela inauguração da Escola de Laveiras, em anexo à capela de Nossa Senhora das Dores (1891.ABR.19). Caxias e a sua zona envolvente continuavam a ser destino privilegiado, ora para frequência da praia, ora para passeios através do Tejo, ou, ainda, para participação em festejos anuais, de devotos de Nossa Senhora das Dores e do mártir São Sebastião. Mas o século não terminaria sem dois sinais de alarme, quanto à poluição, os pedidos de "saneamento da ribeira de Caxias" (1897.DEZ.29), de regularização do "leito do rio de Laveiras" e de proibição das "lavadeiras de lavar no dito rio" (1900.OUT.11). Primeira metade do Séc. XX ![]() No quartel inicial do século xx, foi transferida das Mónicas para a Cartuxa (1903.MAI.31) a Casa de Detenção e Correcção, actual Centro Educativo Padre António de Oliveira e publicado, com duração efémera, o primeiro periódico, a revista trimestral "Os Signaes dos Tempos" (1908.JUL/SET?). Cedidos o palácio e a Quinta Real de Caxias, aos Ministérios da Guerra e da Justiça (1908.DEZ.31), entraram em funcionamento cinco telefones da rede da Cruz Quebrada, dos quais, o nº.1, de P.E. Mascarenhas, na Gibalta (1911.AGO.1). Construído o farol da Gibalta (1914), foi iniciada (1916) a utilização do forte Rei D. Luís, como estabelecimento prisional: ali estiveram detidos soldados insubordinados de Infantaria 1, assaltantes de mercearias (1917.MAI), grevistas da construção civil (1917.JUL.9/18) e 63 dos 84 funcionários telégrafo - postais (1917.SET.3/12) em greve desde 1917.SET.1, solidários com os seus 900 colegas presos no Tejo, a bordo do navio "Lourenço Marques". Transferido para Caxias (1922.FEV.16) o governo (1922/23) de António Maria da Silva, receoso de intentonas; o Presidente da República (1923/25) Manuel Teixeira Gomes, renunciou ao seu cargo e, seis dias depois, saiu de sua casa, na Gibalta, e tomou o rumo do exílio (1925.DEZ.17). Um ano depois (Decreto-Lei nº.12783-1926.DEZ.7), as localidades de Lagoal, Caxias, Cartuxa, Gibalta, Laveiras e Murganhal, às quais se juntou a Quinta do Jardim (Decreto nº. 15285-1928.MAR.27), transitaram da freguesia de Oeiras para a de Paço de Arcos, criada naquela data e recordada por alguns caxienses, felizmente ainda entre nós. Os quatro últimos anos da década de vinte são os da classificação de Caxias como praia de 2ª. ordem (1926.DEZ.15) e da fundação do Grupo Desportivo Unidos Caxienses. Os da década 1931/40 são os do início da utilização do Forte Rei D. Luis, no reduto sul, para presos civis (1935.JAN.24) e no reduto norte, para presos políticos (1938.MAI.19). E ainda, a extensão da rede de abastecimento de água a Caxias e Laveiras (1935.AGO); a bênção da Cartuxa e sua reabertura ao público (1938); o início da demolição do forte de Nossa Senhora do Vale (1939.OUT.15), incluída nos trabalhos de abertura da Avenida Marginal; e o VIII Recenseamento (1940) com 1507 presentes em Caxias, 584 em Laveiras, 219 no Murganhal e 211 no Lagoal, isto é um total de 2521, equivalente a 41% do da freguesia. Da década de quarenta ficaram as recordações da criação do Centro de Assistência Infantil Nossa Senhora das Dores (1942); da constituição (1944.MAR.20) do Vicariato de Laveiras-Caxias; da fundação da Conferência de S. Vicente de Paulo (1943), ambos em Laveiras, e da electrificação do farol da Gibalta (1950). Segunda metade do Séc. XX ![]() A primeira metade do período 1951/60 dominou as primeiras páginas da imprensa nacional (1952.MAR.31): "JUNTO AO FAROL DA GIBALTA, PERTO DE CAXIAS TONELADAS DE TERRA E PEDRAS NUMA AVALANCHE GIGANTESCA CAÍRAM SOBRE UM COMBOIO 10 MORTOS E 38 FERIDOS NUMA CARRUAGEM ESMAGADA RECEIA-SE QUE OUTROS PASSAGEIROS ESTEJAM AINDA SOB OS ESCOMBROS", O inferno na Terra, dez dias depois do primeiro beijo primaveril, seguidos da classificação da Quinta Real de Caxias como imóvel de interesse público (Decreto nº. 39175-1953.ABR.17) e da construção do actual farol da Gibalta, o segundo (1954). A segunda metade da década é a do X Recenseamento (1960), com 4060 residentes correspondentes a 48% do total da área da freguesia, assim repartidos: Caxias, com 2133 e Laveiras - Murganhal, com 1927. Da ditadura à democracia - de aldeia a vila ![]() Da década de sessenta, apenas ficou a lembrança da extensão da rede de abastecimento de água ao Murganhal (1963) e da criação da Escola Primária Oficial nº. 1 - Caxias (1970), mas o período 1971/80 foi fértil em acontecimentos: a libertação de presos políticos, a passagem do reduto norte do forte Rei D. Luis, primeiro a dependência do Movimento das Forças Armadas e do Conselho da Revolução, depois (1979.MAI.4) a instalação da Casa de Reclusão da Região Militar de Lisboa; mas, também, a alteração toponímica do Largo António de Oliveira Salazar, para Alves Redol (1974.SET.18); e ainda a instalação provisória da Escola EB 2+3 de Caxias (1976); a classificação do forte de São Bruno, como imóvel de interesse público (1978.SET.12) e a criação da Paróquia de Laveiras-Caxias (1979.JUN.18). No período de 1981/90 assistiu-se à instalação da Guarda Nacional Republicana, em Caxias (1983); à atribuição de uma Menção Honrosa à estação ferroviária de Caxias no concurso Estações Floridas (1984) e à cedência do forte de São Bruno ao SANAS - Corpo de Voluntários Salvadores Náuticos (1984.OUT.22); às inaugurações dos centros de Convívio da Terceira Idade, de Laveiras (1987.ABR.25) e Caxias (1987.DEZ), do Centro Cultural e Parque Infantil da Pedreira Italiana (1988.JUL.24) e da Estação de Pré - Tratamento de Esgotos de Caxias (1990); à transferência para Caxias (1988) da sede do Instituto de Socorros a Náufragos; e ao início das obras de restauro, pelo Instituto Rainha Dona Leonor, das estátuas e pinturas dos jardins do Paço Real de Caxias (1990.FEV.). São da primeira metade da última década o XIII Recenseamento (1991) com 6679 residentes (3116 em Laveiras, 3086 em Caxias e 477 no Murganhal); a reorganização administrativa da área, de então em diante, correspondente à do Aglomerado de Caxias - Laveiras (Lei nº.17-R/93-JUN.11); a substituição da Guarda Nacional Repúblicana pela Policia de Segurança Pública (1995.MAI.15); a inauguração em Laveiras, da Creche - Jardim de Infância Nossa Senhora do Acolhimento e do Espaço Paroquial da Sagrada Família, ambos entregues à Obra Social da Madre Maria Clara, das Irmãs Hospitaleiras da Imaculada Conceição (1995.SET.16). Na segunda metade da última década do bimilénio, assistiu-se à inauguração do Centro Comunitário Paroquial de Nossa Senhora das Dores (1996.JUN.22) e a um dos momentos altos da vida de Caxias, o da sua elevação à categoria de vila (Lei nº.79/97-JUL.24). Assim se abriu o caminho, finalmente, ao evento de enorme significado cuja comemoração aqui nos traz, o da criação da freguesia de Caxias (Lei nº. 18-B/2001-JUL.3). Caxias - um topónimo cosmopolita ![]() Poucos ou nenhum topónimo português desfrutarão o raro privilégio do exuberante cosmopolitismo de Caxias, desde o remanso da beira - Tejo até aos horizontes de Além - Mar, repartidos por dois países, Brasil e Timor, banhados por dois oceanos, Atlântico e Índico. Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1700/69), irmão do futuro marquês de Pombal, saiu para o Brasil (1751.JUN.13) e regressou a Lisboa (1759.MAI.28), depois de exercer, no país irmão, as funções de governador e capitão - general do Grão-Pará e Maranhão. No desempenho do seu cargo, fundou "Povoações, em toda a distância do Rio das Amazonas e suas margens (...) e igualmente nas do Rio Negro, e todos os demais que se engolfam no mesmo Rio das Amazonas em mais de 800 léguas de distância, estabelecendo nelas 62 Vilas e Lugares", tudo conforme com o modesto lugarejo de Caxias, no Amazonas: a norte, o Javari (942 km), afluente da margem direita do Amazonas constitui a fronteira do Brasil com o nordeste do Perú; a oeste, o Curuçá, desagua naquele; o topónimo ainda hoje assinala a confluência dos dois. Aqui o registamos, na esperança de que alguém, mais feliz do que nós, venha a esclarecer esta versão, sem margem para dúvidas. Verdade irrefutável é que a portugalização toponímica do setentrião brasileiro, acabou por divulgar o topónimo em mais três regiões, além da do Norte, acima referida: na de Nordeste, no Estado de Maranhão, Caxias (cidade, povoação e rio); na de Sudeste no Estado do Rio de Janeiro, Duque de Caxias (cidade); na do Sul, no Estado de Paraná, Caxias (sitio e ribeirão) e no do Rio Grande do Sul, Caxias do Sul (cidade). Pelo menos oito topónimos, dos quais três de grandes cidades; e ainda, a distinção do título de Duque de Caxias, concedido ao coronel Luis Alves de Lima e Silva (1803/80), patrono do Exército brasileiro (1962), por isso mesmo, razão de ser do vocábulo comum caxias, sinónimo de pessoa que cumpre com extremo escrúpulo as obrigações do seu cargo ou que exige dos seus subordinados o cumprimento rigoroso das leis e regulamentos. Mas também, honroso tema para dois dos mais belos poemas de António Gonçalves Dias (1823/64), a grande figura de Caxias (Maranhão), " A Desordem de Caxias" (Portugal, 1839) e "Ao Aniversário da Independência de Caxias" (Brasil, 1845.AGO.1), ambos dedicados à sua terra, "Caxias, bella flor, lyrio dos valles, Gentil senhora de mimosos campos". Cerca de cento e oitenta anos depois de atingir o Brasil, Caxias chegou a Timor, por inclusão no aportuguesamento toponímico de trinta e cinco vilas e povoações subscrito (1936.JUN.20) pelo governador Raul de Antas Manso Preto Mendes Cruz (1839/1945) por motivo da comemoração do décimo aniversário da Revolução Nacional (1926). Com o topónimo de Caxias do Extremo, foi então, rebaptizada a povoação de Batugadé, do posto administrativo de Balibó (1 regulado 6 sucos e 23 povoações) no concelho de Bobonaro (sede: Maliana), situada à beira do mar de Savu, perto da fronteira indónesia. Tradicional praça de Guerra, Batugadé, já tinha o monumento mais representativo do território, no seu reduto " Conselheiro Jacinto Cândido"; o aportuguesamento toponímico veio redefini-la: Caxias (porque a sua praia apetecível se situava a poente de Nova Algés, rebaptismo de Tibar, no Concelho de Liquiçá) do Extremo (porque junto à fronteira holandesa). Os topónimos em causa tiveram existência efémera: concorreram, nomeadamente, para tanto, a óbvia confusão postal e duas ocupações, ambas empenhadas na destruição selectiva de todos os vestígios tradicionais, a japonesa (1942/45) e a indonésia (1975/99). Mais omissão, menos distracção, foi-se esvaindo, na neblina do tempo, o sonho do governador Manso Preto, a portugalização toponímica de Timor, recriação no Índico, de um novo Portugal, com um quinto do tamanho do genuíno. Já em pleno desenvolvimento o retorno à toponímia tradicional a invasão indonésia provocou o êxodo de algumas famílias timorenses que encontraram no concelho de Oeiras, acolhimento provisório no vale do Jamor e definitivo em Laveiras (1988.DEZ.18), nos primeiros quarenta dos quatrocentos fogos do bairro concluído em 1992, já com o nome do Dr. Francisco Sá Carneiro, que lhe fora atribuído um ano antes. Visitada pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares (1993.JUN.11), a comunidade timorense instalada em Laveiras veio a homenagear o patrono do seu bairro, através do primeiro e único monumento da freguesia, inaugurado em 1993.JUL.19, enquanto no Índico distante, no local que viu nascer e morrer Caxias do Extremo, ecoava ainda a voz sonorosa de Ruy Cinatti: "Muro sombreado por coqueiros altos, o mar em frente, Batugadé é A mais antiga das fortalezas portuguesas Nos fastos históricos da ilha. Bate o pé, Batugadé. Os topónimos oficiais, 58 em Laveiras, 47 em Caxias, 25 no Murganhal, recordam a cada passo, na freguesia, lugares e pessoas que fizeram História. Na impossibilidade de referir os 130 que mereceram tal honra e tanto contribuem para a formação da identidade, aqui elegemos dois, a discreta Rua Direita de Caxias e a que homenageia Domingos António de Sequeira (1768/1837), vulto cimeiro da arte portuguesa, recolhido na Cartuxa (1798/1802), onde pintou cinco dos seus quadros. Caxias, pouco mais de três quilómetros quadrados, do berço em Laveiras, à jovem freguesia definida, a norte e a sul, entre a auto-estrada e o Tejo; a nascente e a poente, entre as suas congéneres da Cruz Quebrada - Dafundo e de Paço de Arcos. Caxias, do Tejo ao Brasil e daí aos confins do Índico, para conviver, em Timor, com aqueles que hoje acarinha em Laveiras. Caxias, a grandeza histórica de um humilde palmo de terra. |




















